PPPs e a experiência da Socicam: quando o pioneirismo se transforma em legado

Além de conduzir estudos pioneiros que apontam soluções para terminais urbanos, Socicam consolida legado à frente da gestão do modal no Brasil

 

A mobilidade urbana está presente na rotina de milhões de pessoas e é um dos pilares para o desenvolvimento das cidades, ao conectar cidadãos a oportunidades de trabalho, estudo, saúde, serviços e lazer. Apesar dessa relevância, os terminais urbanos, elos fundamentais desse sistema, permaneceram por muito tempo sem diretrizes estruturadas capazes de assegurar uma gestão eficiente e compatível com sua importância para a vida das pessoas.

Diante dessa lacuna, a Socicam, líder no segmento de infraestrutura de mobilidade, consolidou os primeiros passos daquilo que viria a ser a solução assertiva para que os empreendimentos operassem gerando valor positivo real na rotina de quem precisa se deslocar diariamente. Assim, desenvolveu, ainda na década de 1990, estudos voltados à construção de soluções viáveis para a gestão de terminais urbanos, em um ambiente regulatório ainda incipiente na América Latina.

Esse processo levou à identificação das Parcerias Público-Privadas (PPPs) como um modelo capaz de unir o interesse público à experiência do setor privado com foco em garantir uma gestão integrada e eficiente. Assim, nos anos 2000, a empresa trouxe esses estudos ao Brasil, em um movimento que antecedeu a própria Lei das PPPs, sancionada apenas em 2004.

De acordo com Wanderley Galhiego Júnior, diretor de Relações Institucionais da Socicam, ao longo desse percurso, a companhia, hoje à frente da gestão de terminais urbanos, não ocupou um mero espaço existente, mas contribuiu ativamente para a formação de um novo mercado. “Em um cenário determinado pela ausência de diretrizes claras, desenvolvemos estudos e diagnósticos voltados à profissionalização da gestão de terminais urbanos, identificando necessidades de melhoria e reconhecendo esses equipamentos como infraestruturas estratégicas não apenas para o funcionamento das cidades, mas para a qualidade de vida das pessoas”, afirma.

Para viabilizar essa mudança de paradigma, a empresa apontou a necessidade de superar modelos tradicionais de gestão, baseados em contratos de curta duração, que induziam uma execução fragmentada dos serviços, limitando investimentos estruturantes de longo prazo. Com esse debate, emergiu uma questão-chave: a quem compete a responsabilidade pelos terminais urbanos, infraestruturas essenciais ao sistema, mas distintas das operadoras de transporte? 

“Embora a permanência das pessoas nos terminais urbanos seja breve, entendemos que esses espaços devem oferecer soluções capazes de ampliar conforto, segurança e conveniência, como comunicação clara sobre as linhas, lojas e serviços, acessibilidade universal, sanitários adequados, atendimento humanizado e integração com outros modais. Tudo isso deveria estar aliado ao uso racional do recurso público. Como a materialização desses conceitos exige planejamentos de longo prazo, chegamos ao desenho das PPPs, que viabilizam uma gestão inovadora dos terminais, com foco real nas necessidades de quem os utiliza”, destaca Galhiego.

De acordo com Wanderley, além de elevar a qualidade da experiência dos passageiros a um novo patamar, os benefícios decorrentes do modelo contribuem diretamente para tornar o transporte coletivo uma alternativa competitiva ao automóvel particular, levando a impactos positivos tanto para as pessoas quanto para o planeta.

Wanderley Galhiego Jr., diretor de Relações Institucionais da Socicam

Estudos pioneiros se tornam resultados concretos

Um marco dessa trajetória ocorreu em 2017, quando a companhia apresentou Procedimentos de Manifestação de Interesse (PMIs) a prefeituras e Estados, iniciativas que deram origem às primeiras concessões de terminais urbanos do grupo no formato de PPPs administrativas. 

Em Pernambuco, a companhia liderou o primeiro contrato de PPP administrativa de terminais urbanos do país, passando a gerir 26 terminais integrados e 44 estações de BRT na Região Metropolitana do Recife.

Por meio da Nova Mobi Pernambuco, já foram concluídas obras emergenciais em todos os terminais, com 24 unidades totalmente requalificadas e 37 estações de BRT retrofitadas, incorporando melhorias em sinalização, iluminação, acessibilidade e comunicação visual.

Para além do amadurecimento da gestão, o modelo também viabilizou avanços expressivos em sustentabilidade. A implantação de 15 usinas fotovoltaicas nos terminais garantiu não apenas autonomia energética para a operação, mas também a redução de impactos ambientais. Com capacidade aproximada de 200 mil kWh por mês, o volume equivale ao consumo médio de mais de 1.300 residências brasileiras.

Na avaliação de Wanderley Galhiego Júnior, os benefícios das PPPs também estão associados a áreas fundamentais, como tecnologias e segurança. “Um dos avanços dessa maturidade é o CORE Inteligência Integrada, presente nas operações da Nova Mobi e desenvolvido pela Socicam. A estrutura, que representa uma evolução dos tradicionais centros de controle operacional, incorpora tecnologias como Inteligência Artificial, Machine Learning e Internet das Coisas, permitindo identificar comportamentos atípicos em tempo real, orientar a atuação das equipes e antecipar soluções”, afirma.

CORE Nova Mobi Pernambuco. Divulgação Socicam

 

Em São Paulo, por meio da concessionária SP Terminais Noroeste, a Socicam é responsável pela gestão de 9 terminais urbanos, reforçando a capacidade do grupo em operar em escala, com visão sistêmica e alto nível de integração, reafirmando o êxito do modelo de PPPs.

Mais do que requalificar estruturas físicas, a atuação da companhia transformou a experiência de quem se desloca diariamente. “Os terminais passaram a oferecer sanitários familiares, bicicletários monitorados, acessibilidade ampliada e reconhecida por órgãos competentes, ambientes mais seguros, comunicação clara, sinalização acolhedora, previsibilidade das linhas e mais conforto, aliados a sistemas de controle operacional e integração com o cotidiano urbano. De simples pontos de passagem, esses espaços se consolidaram como polos de convivência, serviços e dignidade para a população”, afirma Wanderley.

Comunicação clara e previsibilidade das linhas integram escopo de inovações. Foto: Edson Lopes Jr. /SECOM

 

Relevância do tema é endossada pelo BNDES

A relevância da agenda da mobilidade urbana vem sendo reforçada pela entrada do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como ator estratégico do debate. Para Wanderley, a participação da instituição contribui para qualificar o nível da discussão e ampliar a visão de longo prazo sobre o setor.

Em parceria com o Ministério das Cidades, o BNDES lidera a elaboração da Estratégia Nacional de Mobilidade Urbana, iniciativa que busca diagnosticar as demandas do setor para os próximos 30 anos em 21 cidades com mais de 1 milhão de habitantes, além de estruturar uma carteira de projetos voltados a concessões e Parcerias Público-Privadas.

Segundo o executivo, a consolidação dessas políticas é fundamental para associar mobilidade urbana, qualidade de vida e sustentabilidade. “Autoridade nesse setor não se constrói apenas com discurso, mas com tempo, entrega e responsabilidade. A Socicam chegou quando ainda não havia trilha e segue preparada para contribuir com o próximo ciclo da mobilidade urbana no Brasil. No longo prazo e com menos veículos individuais nas ruas, isso se traduz em ganhos relevantes tanto para a sociedade, quanto para o planeta”, conclui.

Totalmente requalificado, Terminal Pirituba integra o bloco de 9 terminais urbanos na capital paulista. Foto: Edson Lopes Jr. /SECOM